Casos e causos
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Mundo cão
A serenata era numa luxuosa mansão. Os Trovadores entraram cantando e se posicionaram frente a um senhor, muito simpático, que sorria o tempo todo. Terminada a apresentação, leram na ficha o nome do homenageado, Bob, e foram cumprimentá-lo. Imediatamente ele retrucou: “Bob não sou eu, é ele!”, e apontou um cachorrinho. A serenata tinha sido contratada para um pequinês!
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Amor eterno
O cenário: um cemitério, com ventos uivantes. O horário: meia-noite. O pedido: uma serenata para uma falecida. Os Trovadores foram recebidos por um homem alto e magro, vestido de preto. Ele conduziu os músicos pelas alamedas, parou e pediu que subissem em cima de um túmulo. A serenata deveria ser feita ali mesmo. O repertório, muito triste, foi em homenagem ao aniversário de morte de sua esposa.
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De mulher para mulher
A serenata era de uma mulher para outra. Contratante e homenageada ouviram-na o tempo todo abraçadinhas, feito casal. No meio da apresentação, a Trovadora foi entregar o CD do grupo para a homenageada. Sem titubear, esta puxou forte e rápido a nuca da cantora, e tascou-lhe um beijo na boca. Como cliente tem sempre razão, a Trovadora, mesmo sem graça, sorriu.
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Armado e perigoso
Todo ano, religiosamente, a empresa que cuida dos Trovadores prega uma peça neles. Certa vez a ficha dizia que a serenata era enviada pelo amante da esposa de um policial. Enquanto cantavam na janela, ouviam copos e pratos quebrando dentro da casa e um homem irado, de voz grossa, gritando palavrões. O grupo, mantendo o profissionalismo, continuou a cantar. Até que a voz berrou: “vou pegar minha arma e matar esses músicos agora!” Abriu a porta um homem negro, forte, vestido de soldado e armado. Não tinha ficado ninguém pra ver.
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Deu até no jornal
A serenata era numa faculdade, mas o contratante, que tinha brigado com a homenageada, não estava lá. Alunos e Trovadores saíram, então, de sala em sala procurando a menina. Ao encontrá-la, um coro de 50 vozes cantou: “volta, vem viver ao meu lado...”. A emoção foi tamanha que rendeu até uma matéria no jornal “O Estado de S. Paulo”.
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Uma recepção de impacto
A casa tinha um quintal enorme. A ficha de pedido dizia para os Trovadores entrarem cantando. Entraram e... foram recebidos por três dobermanns enormes, que os perseguiram quarteirão abaixo. O jeito foi correr mais e mais, até se livrarem das feras. Antes disso, porém, uma Trovadora ficou sem ¼ do vestido.
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O furo da noite
A serenata era num restaurante japonês chique. Os Trovadores tiveram de tirar o sapato para entrar e fizeram uma descoberta um tanto quanto constrangedora: a meia de um deles tinha um furo, por onde aparecia o dedão. O músico cantou com o pé encolhido. O resultado, bem, ficou original...
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Cliente cativo
Primeiro o rapaz encomendou uma serenata para pedir a moça em namoro. Ela aceitou. No ano seguinte, os Trovadores estavam cantando no casamento deles. A partir daí, a cada aniversário de casamento e a cada filho, uma serenata. Já são cinco anos de união e dois filhos.
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Um time de namoradas
Tem um moço que já contratou os Trovadores onze vezes para onze namoradas diferentes. Analisando friamente a situação, deduz-se que a serenata deslancha namoro, senão ele não teria contratado o grupo tantas vezes. Quem não dá certo é ele, e isso o próprio cliente confessou brincando recentemente, ao ligar para marcar mais uma serenata...
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Trova em trânsito
A serenata não podia ser na casa da moça, porque a família não sabia do namoro. Também não podia ser no trabalho dela, pois a empresa não permitia. Sugeriu-se, então, que apresentação fosse no trajeto da empresa para casa. Os Trovadores cantaram no ônibus, em pleno trânsito. O motorista nem cobrou a viagem.
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Foi de táxi
E como fazer uma serenata encomendada pela amante de um taxista? Não pode ser na casa dele, por razões óbvias. No trabalho, ou seja, na rua, seria pouco romântico. A saída foi simular um chamado urgente, de um “passageiro” que morava em frente a uma belíssima praça. Resultado: uma belíssima serenata.
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Foi de táxi
O rapaz queria dar um presente diferente para a namorada aniversariante, malabarista de circo. Contratou os Trovadores, que cantaram na frente do circo. Para caprichar na surpresa, ele também pulou de pára-quedas durante a serenata. A moça gostou, mas achou o rapaz exagerado. Até deu uma bronca nele. Seu coração de malabarista quase saiu pela boca ao ver seu amor se arriscar no ar.
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Outras histórias
Também teve aquela serenata em que o filho de cinco anos da homenageada ficou chutando os músicos enquanto eles cantavam... E aquela em que havia duas ruas de nome muito parecido, casas com o mesmo número e moradores com o mesmo nome e os Trovadores só descobriram no final que haviam cantado para a pessoa errada... E ainda aquela, às cinco da manhã, em que o homenageado não acordava de jeito nenhum. Na última música ele apareceu de pijama e fez os Trovadores cantarem tudo de novo...
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